Covid-19: SP tem aumento de internações em hospitais e alta de casos suspeitos; cientistas avaliam possibilidade de 2ª onda

12.11.2020

 

Info Tracker, plataforma da USP e Unesp que monitora o avanço da pandemia, informa que houve salto de 50% nos casos suspeitos de coronavírus na capital paulista entre agosto e novembro.

 

SÃO PAULO — Em meio a um cenário de provável subnotificação de casos da Covid-19 em São Paulo, devido a um "apagão" nos dados que durou quase uma semana, hospitais particulares vêm registrando aumento no número de internações de pacientes nos últimos dias. Além disso, uma pesquisa da Info Tracker — ferramenta desenvolvida por USP e Unesp para monitorar o avanço da pandemia — aponta que entre 1º de agosto e 5 de novembro houve um salto de casos suspeitos de coronavírus na Grande São Paulo e na capital paulista.

Especialistas da área da saúde e cientistas chamam atenção para uma possível segunda onda da doença.

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O Hospital Sírio-Libanês informou que voltou a atingir o pico de internações do início da pandemia, o mesmo registrado em abril deste ano: 120 pacientes com Covid-19. Nos últimos dois meses, o número oscilava entre 80 e 110. Sem dar detalhes sobre o total de atendimentos, o hospital 9 de Julho confirmou que registrou "discreto aumento" da taxa de ocupação em quartos privativos por pacientes com doenças respiratórias.

 

A COVID-19 NO BRASIL

O Hospital Israelita Albert Einstein, que chegou a ter 135 internações por Covid-19 em abril, desceu o número para 56 em outubro. Mas, em novembro, teve um leve acréscimo, indo para 59 pacientes internados com coronavírus. De acordo com o médico Sidney Klajner, presidente do Einstein, o aumento não é significativo, e as internações estão estáveis. No entanto, o aumento do número de testes de Covid-19 realizados e a positividade dos mesmos são sinais de alerta. 

 

— Não sabemos ainda, porque não foi confirmado, mas talvez exista uma menor gravidade nos casos atuais. Há um relaxamento maior do isolamento na população mais jovem, que são as pessoas que internam menos e lidam melhor com a doença. A minha preocupação é que essas pessoas convivem com pessoas de risco. Há possibilidade de levar a doença para casa, e isso realmente significar uma segunda onda, estressando o sistema de saúde — alerta o especialista.
 

Já o Hospital Vila Nova Star, que atende em sua maioria o público de alta renda, afirmou em nota ao Estadão que houve um aumento do número de pacientes com suspeita de Covid no pronto-socorro, porém também não informa o total de atendimentos. O HCor internou 100 pessoas nos meses de pico da pandemia. O número caiu para 18 pacientes, e agora aumentou para 30, segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo.

 

Na última semana, a ferramenta Info Tracker, do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, desenvolvida por professores da USP e Unesp, vem chamando a atenção para um salto nos casos suspeitos de Covid. Segundo especialistas que estão monitorando 92 municípios (cidades que têm uma representatividade de 90% no número de óbitos por Covid no estado de SP) desde o início da pandemia, os casos suspeitos registraram crescimento na Grande São Paulo e na capital entre agosto e novembro.
 

Para Wallace Casaca, cientista de dados e um dos responsáveis por desenvolver a Info Tracker, o número de infectados suspeitos oscilava muito no ápice da pandemia, o que indicava normalidade para a ocasião em uma época de muitos registros diários. Com os recentes boletins do estado de SP mostrando queda no número casos e óbitos confirmados, o mesmo cenário deveria estar sendo observado nos casos suspeitos, mas, desde agosto, o número de casos suspeitos "só aumenta".
 

— De agosto a novembro, em dois ou três dias esse dado chega a cair, mas, no geral, sobe de forma considerável. Olhando para os números, já é possível ter indícios de segunda onda que a Grande SP e a capital podem estar vivenciando. Temos aumento de hospitalizados na rede particular, aumento de casos suspeitos e redução de casos descartados —  explica o especialista.

 

A ferramenta mostra que a capital paulista teve um aumento de aproximadamente 50% no número de casos suspeitos entre 1º de agosto e 5 de novembro, passando de 339.934 casos para 504.949. Na Grande São Paulo Sudeste, onde há grande concentração de casos suspeitos, a alta é de 75% (passou de 43.494 para 76.188 entre agosto e novembro). As demais regiões da Grande São Paulo também registram aumento: 41% na Sudoeste, 76% na Oeste e 12% na Leste.

 

— A pandemia começou assim em março, com hospitalizados nos particulares, e depois migrou para o sistema público de saúde. Parece que a gente começa a vivenciar a mesma fotografia do começo da pandemia na Grande São Paulo —  ressalta Casaca.

 

As autoridades sanitárias dizem que os dados oficiais de casos e internações no estado e na capital paulista não indicam uma aceleração da pandemia. Coordenador do comitê de contingência do coronavírus em São Paulo, José Medina divulgou nesta quinta-feira a média móvel de internações de todos os hospitais privados no estado. Os números, que oscilam entre 214 e 243, indicam uma estabilidade nas últimas cinco semanas.

 

— Tivemos na semana passada a segunda melhor semana desde o início da pandemia em relação a média móvel de internações no estado — destacou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Elen, responsável pelo plano de flexibilização da quarentena.

 

A Secretaria de Saúde de SP voltou a informar na quarta-feira os dados referentes ao coronavírus, após instabilidade na plataforma. Em nota, a pasta disse que incluiu 190 novos óbitos e 24.936 casos entre os dias 6 e 11 de novembro, mas que o "balanço possivelmente é inferior ao verificado no período", pois alguns podem ter ficado "represados".

 

São Paulo soma 1.156.652 casos confirmados de Covid-19 e 40.202 óbitos.

 

Fonte: OGlobo
Ana Letícia Leão12/11/2020 - 12:37 / Atualizado em 12/11/2020 - 18:43
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